segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O fel e o mel: a volta do maior de Minas

Resumir nove anos em noventa minutos é complicado. Mas foi exatamente o que aconteceu no último sábado às 17 horas no Moisés Lucarelli. Em míseros noventa minutos o América jogaria pelo acesso. Jogaria por sua história, por sua imensa torcida, por uma diretoria séria que finalmente começou a consertar a CAGADA que gestões anteriores fizeram com um clube tão grande. O América jogaria por nós.

Começou. A Ponte Preta veio com tudo. Tratou o jogo como se fosse uma final. Como disse Bruno Azevedo, "o que é o dinheiro, hein?". Mas não que a gente possa reclamar. Se precisamos de um ponto, temos que buscá-lo com nossas forças ao invés de esperar que o adversário nos dê. Foi assim o ano inteiro e é assim na vida de qualquer equipe séria de futebol, como o América é.

A Ponte nos prendeu na defesa. Estávamos (o América) nervosos. Estava (eu) nervoso. Pra piorar, Dodô marcou lá no Recife. Em condições normais o Sport JAMAIS perderia para a Portuguesa na Ilha. Mas digo de novo: se não conseguirmos o resultado por nossas ações, não merecemos a ajuda dos outros. Segue o jogo.

Como se não bastasse a minha ansiedade - virei o copo de Coca-Cola gelada num estalar de dedos - o Preto decide que já vivi demais essa vida e que eu mereço um ataque cardíaco. Bola na área americana e o zagueirão, na tentativa de afastar o perigo, carimba o nosso próprio travessão. Seria um dos gols contra mais bonitos da história. OK, morri, voltei. Segue o jogo, e a Ponte ainda jogava melhor. Se o primeiro tempo terminasse empatado já seria lucro, e terminou mesmo. Mas antes, mais um da Lusa na Ilha.

Na volta do intervalo, minha mãe (que acompanhou o jogo inteiro comigo) e eu já havíamos cansado da narração tendenciosa do SporTV. O que foi feito: "mute" na TV e Rádio Itatiaia no talo. Com Ênio Lima, Bruno Azevedo e Thiago Reis na transmissão, três notáveis americanos, não poderíamos falhar. O problema é que a imagem do SporTV chegava BEM depois do som da Itatiaia (coisa de 5 segundos). Dane-se. Abaixei a cabeça e me concentrei no som, aí a cada lance aparentemente importante eu levantava a cabeça pra ver como foi. Melhor que ouvir Rogério Corrêa e sua velada torcida pelo acesso da Portuguesa.

O América voltou melhor, pressionou, brigou. Tomava uns contra-ataques, mas nada tão preocupante quanto o primeiro tempo. Havíamos equilibrado a situação.

Nós (América) não estávamos mais nervosos. Mas eu estava. Fiquei mais ainda quando Sheslon perdeu o que seria o gol da rodada, da vitória, do acesso. Chegou a tirar o goleiro alvinegro da jogada, mas este conseguiu - mérito total dele - fechar o ângulo do nosso lateral.

A cada ataque nosso, a esperança de ouvir o característico "MARCOU! MARCOU! MARCOU!" de Ênio Lima. A cada contra-ataque da Ponte, o medo de ver tudo ir por água abaixo. Mas não tinha como ir, não podia ir. O América é muito grande pra isso. Uma equipe tão unida, tão comprometida e tão talentosa não merece menos que a elite do futebol brasileiro.

A linha defensiva fez bem o seu papel e, nos raros momentos que não fez, agigantou-se Flávio, poderosa muralha americana. Lá no Recife o Sport diminuiu, mas não era motivo de esperança. Todos sabiam que o Sport não empataria, justamente porque não queria empatar.

Entre os 43 e 44 minutos do segundo tempo meus olhos já quase transbordavam. Quando anunciaram que o árbitro deu só um minuto de acréscimo, caiu a primeira lágrima, ainda bem contida. Eu já não olhava mais pra tela, só ouvia a Itatiaia.

E bem na hora em que Ênio Lima gritou "ACABOU", um quase silencioso "... puta que pariu..." acompanhou o choro que veio como um raio. Um choro que já vinha sendo conservado aqui dentro há longos e intermináveis nove anos. Um choro incontrolável de extrema e intensa felicidade. Um choro de agradecimento ao meu pai por ter me apresentado ao maior clube de Minas Gerais. Um choro cujo significado é coisa que só um torcedor do América tem o privilégio de entender.

Todos sabem que o América é um time grande. Quem nega esse fato o faz pra provocar, e eu não só não me importo como gosto que seja assim. Agora o América voltou ao lugar que sempre lhe foi de direito. A preocupação dos rivais é evidente e as piadinhas pra camuflar o medo já começaram. Mas não se envergonhem, atleticanos e cruzeirenses: o medo de vocês é totalmente justificado.

O Coelhão voltou. Contra tudo e contra todos.

E, pra fechar, um vídeo que editei às vésperas do jogo do acesso para a Série B em 2009. A mensagem ainda vale. Assistam. Saibam um pouco do que é "o fel e o mel" de ser americano.


Obrigado.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Filmes: pós-jogo América x Bahia + pré-jogo São Caetano x América

Desculpem a demora pra escrever essas linhas. Eu realmente estava sem condições mentais.

Quando o jogo acabou e foi decretada a vitória do Bahia, confesso que vi vários filmes passando diante de mim ao mesmo tempo. Várias sessões em sequência. Os piores filmes que já vi na vida.

Num momento voltei a 1996, noutro fui a 1999, passei por 2004 e por 2007 - argh, que nojo de 2007 - ou seja, só filmes de terror sangrento. O desespero bateu. Não é bom lembrar das vezes em que o América teve o objetivo nas mãos e deixou escapar. Não se engane, sou otimista, mas perder um jogo como aquele, em que realmente fomos superiores em campo e o time inteiro fez uma boa partida, desregulou completamente o meu sistema nervoso.

Mas aí eu parei pra pensar direito: cazzo! O que eu estou fazendo? Eu escolho os filmes que quero assistir!

Então fui à locadora, devolvi o filme B de 1996 e aluguei a maravilhosa superprodução de 1997. Linda.

Troquei o terror de 1999 - revolucionário, pois houve forte MANIPULAÇÃO no roteiro - pela comédia de 2001, que contou com meu ator coadjuvante favorito, aquela pequena ave de fazenda que sempre me faz rir.

O de 2007 eu quase joguei fora, mas resolvi trocar por um filme clássico, de 1993, filmado nas longínquas terras de Governador Valadares. Filmaço.

De quebra já aluguei a bela produção regional de 2000 e uma série de curtas-metragens, cujos anos de produção se espalham por 1998, 2000, 2003, etc. Filme bom nessa locadora do Coelho tem de sobra.

Ah, e o de 2004, aquele drama mal filmado em que o herói parece morrer no fim, troquei por um drama muitíssimo bem elaborado de 2009, com um final emocionante e uma brecha no roteiro que pede, IMPLORA por uma sequência em 2010. Apesar dos vários plot twists que ela já sofreu, ainda confio plenamente que haverá um final feliz.

Vou aprender a escolher melhor os filmes a que assisto.

Fé e confiança, sempre. Acredita, América.


-


P.S.: como viajo na sexta-feira à tarde e só volto no dia 15, só poderei comentar o resultado de São Caetano x América quando eu voltar. Na hora do jogo estarei em algum lugar da Serra do Cipó sem prestar atenção em nada além do radinho.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Por uma boa noite de sono: pré-jogo América x Bahia

América x Bahia. Jogo do ano pra nós e pra eles.

Pra falar a verdade eu dormi muito mal a noite passada. Apreensão, preocupação, ansiedade. Medo não, nunca, mas tô contando os minutos até às 9 da noite. É que falta pouco, muito pouco.

Esse jogo é de tamanha importância que, dependendo do resultado de Vila Nova x Sport (mais cedo, às 7 e meia da noite), uma vitória do Coelho pode assegurar 90% da nossa volta à Série A. E não é o jogo do ano só por isso, mas também porque o Bahia é o adversário mais difícil que enfrentaremos nesse fim de campeonato. Creio que um triunfo sobre o tricolor baiano hoje seja a prova definitiva de que ninguém nos segura mais.

Acho o nosso time melhor que o deles, embora eles possam ter hoje a volta de Jael. Artilheiro por artilheiro, sou mais o nosso Cantor de Novela. O fato é que será um jogo equilibrado e precisaremos ter o triplo de atenção.

Se fizermos PELO AMOR DE DEUS um primeiro tempo decente, coisa que não vejo há certo tempo, acho que o jogo é nosso. Já provamos que sabemos correr atrás de resultado, vide as várias vitórias por virada que tivemos no campeonato, mas nem sempre vai funcionar, e eu não tô interessado em sofrer uma parada cardíaca, como quase sofri contra o “Guaratinguetá” (explico as aspas depois). Um pouco de sorte às 19h30min, muito trabalho às 21h e, sempre acreditando, vamos dormir tranqüilos essa noite.

Pra cima do Bahia. Com humildade e respeito, mas com confiança.

Obrigado.


P.S.: as aspas em “Guaratinguetá” devem-se ao fato de que esse NOJENTO time de prefeitura e empresários  acaba de fazer suas malas. Sugaram toda a grana possível dessa bela e adorável cidade do Vale do Paraíba e, agora que a fonte secou, partirão em 2011 como um cirquinho itinerante de BOSTA rumo a Americana, terra do glorioso Rio Branco, pra seguir seu curso patético de franquia da NBA. E o futebol brasileiro segue morrendo aos poucos. Mas também, o que esperar de um time que tem "LTDA." em seu nome completo?

Pronto, desabafei. E o Juventus da Mooca lá embaixo, sem divisão... é muita injustiça.

domingo, 7 de novembro de 2010

O América está onde se sente melhor

Já vou começar explicando o título pra nenhum americano brigar comigo. Não tô dizendo que o América se sente melhor na Série B, divisão onde estamos temporariamente e que é muito menos do que merecemos. Não. É de outra coisa que tô falando.

Quando um campeonato tem uma zona de classificação – o famoso G4, ou G3, ou qualquer coisa que o valha – o último colocado dessa zona é o mais visado pelos concorrentes. É o time a ser perseguido por todos aqueles que tenham a ambição de alcançar o grupo. E, naturalmente, é o time que mais será alvo de comparações com os adversários abaixo dele.

O América, hoje, é o quarto colocado, ocupante da última vaga do G4 da Série B. O quinto, o Sport Recife, teve um começo turbulento mas hoje se vê no meio de uma recuperação, um sprint final. Obviamente as comparações entre Coelho e Leão já começaram.

Tudo normal, embora o Diário de Pernambuco tenha abusado da prepotência e até da falta de educação pra tratar o assunto, como bem expôs o Jotapê na Geral do América (clique aqui para conferir). No próprio canal SporTV – que carinhosamente apelidei de SporVT devido à sua política inexplicável de transmitir reprises nos horários de jogos ao vivo – alguns de seus jornalistas já declararam não uma nem duas vezes que, na opinião deles, o Sport deve mesmo tomar a vaga que o Coelho guarda. Isso sem falar nos vários torcedores dos nossos rivais que, mesmo negando até a morte, estão desesperados e perdendo noites de sono com a possibilidade de ver o América como um representante mineiro na elite de 2011 e, impulsionados por esse desespero, tentam minimizar as ambições de acesso do Coelho.

Nos meus 23 anos de vida, quase 18 de estádio, não me lembro de ter visto o América lidar bem com o favoritismo. Todas as muitas conquistas do Coelhão, ou pelo menos a maioria esmagadora delas, vieram pra derrubar a enorme desconfiança de todos ao redor. Faz parte da natureza americana contrariar a tendência, remar com sucesso contra a maré, calar a maioria adversária nos clássicos, desmentir os números da imprensa.

O América está onde se sente melhor. No olho do furacão, na mira dos assassinos, no campo de visão dos famintos leões da Ilha e sob o olho gordo dos rivais amedrontados. É sob pressão que o Coelho se agiganta. E o que mais mata os inimigos de raiva é que conquistamos tudo com pés no chão e imersos em humildade.