
América x Brasil de Pelotas. O jogo do ano para todo torcedor americano apaixonado. Esse jogo durou muito mais que 90 minutos, já que se falava dele há duas semanas atrás. Porém, esse relato discorre apenas sobre o primeiro tempo da partida.
Chegamos cedo ao Independência, mas o "aquecimento" fora do estádio durou muito tempo, e acabamos, alguns amigos e eu, entrando atrasados e perdendo os minutos iniciais do jogo. Arquibancadas lotadas, difícil até de andar entre os torcedores alviverdes. Resolvemos nos acomodar próximo a entrada da Ismênia Tunes, pelo menos nos 45 minutos iniciais.
Eu portava duas bandeiras, uma verde e outra branca. Entreguei a verde à Kelly, grande amiga que me acompanhou durante todo o jogo, e empunhei a branca, minha favorita, minha companheira de longa data: antiga, surrada, desbotada, mas com o autógrafo de Jair Bala, cujo valor é inestimável. A mesma que secou minhas lágrimas de alegria no início da década e meus prantos de desespero pelos recentes acontecimentos que agora já fazem parte do passado. Somos inseparáveis.
Mas a bandeira que dá nome a este relato não é essa. A outra bandeira é nova, reluzente, colorida. Não tem a experiência e a vivência da primeira, mas tem o fôlego de uma jovem guerreira que ainda testemunhará muitas conquistas do nosso América. É dela que venho falar.
Quase 25 minutos de jogo, o primeiro tempo já passa da metade. Kelly queria ter as mãos livres para bater palmas e empurrar o Coelho pra frente, então amarramos a bandeira na grade da Ismênia, aquela que separa as cadeiras do resto da arquibancada. O fino pano verde tremulava com elegância perante o vento do bairro do Horto.
Virei-me para o jogo, com a minha querida bandeira branca com escritos verdes em mãos. Aos 41 minutos, sai o primeiro gol. 10 mil testemunhas presenciaram Luciano, um talentoso e jovem guerreiro, fazer o goleiro adversário cair por terra antes de balançar a rede. Delírio. De pronto me agarrei na grade, gritei e vibrei, fazendo a bela e nova bandeira verde tremular mais ainda, de alegria.
Fim do primeiro tempo. Descemos todos em direção ao lado da Pitangui, que é onde me sinto muito mais à vontade. Já no fim da curva da ferradura, Kelly me puxou e disse:
- A bandeira! Esquecemos a bandeira!
Olhei para trás e a vi, agarrada na grade. Da mesma forma que fiquei há 4 minutos. Parecia mais verde e mais linda do que antes, tão ou mais feliz que eu.
Virei-me para frente de novo e respondi, puxando a Kelly pelo braço antes que ocupassem os poucos espaços vagos próximos à Avacoelhada:
- Deixa ela lá. É meu presente pro Independência.
Ao torcedor que provavelmente a tirou de lá ao final do jogo, só peço que cuide bem dela. Mas por mim, ela ficaria ali, balançando ao vento do Horto, por tempo indeterminado.
Obrigado.
Marcelo Franco - 16/08/2009
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P.S.: e a quem queira notícias sobre a bandeira branca: ela tornou a enxugar minhas lágrimas. As lágrimas mais felizes que o Gigante do Horto presenciou nos últimos 9 anos. América, eu te amo.